domingo, 29 de junho de 2008
sábado, 28 de junho de 2008
10 coisas que eu odeio em você.
Dos males o menor, prefiro ser tratado com repúdio do que com indiferença. E é simples de explicar-se, é mais fácil converter uma situação quando alguém vem e simplesmente fala que não gosta de você, dessa maneira a problema fica exposto e tendo ciência disso fica mais fácil descobrir uma solução para ele. Já com a indiferença não, para a outra pessoa você simplesmente não existe. Como encontrar uma resposta se não se sabe qual é a pergunta? Você pode tentar adivinhar, mas o risco de errar e piorar tudo é grande, a cada erro você se tornará cada vez mais invisível. Escutar palavras duras a primeiro momento pode ser mais doloroso, porém sabendo adiministra-las você pode muito bem transforma-las em motivação para seguir enfrente e enfrentar a situação com mais forças. A raiva é um dos sentimentos mais fortes que há dentro de cada um, ela expõe tudo o que você sente de uma só vez, sabendo o que se passa do outro lado facilita o seu próximo passo. Quando o sentimento não é exposto, não escutando nenhuma palavra você fica sem ação, desarmado, não sabe pra onde ir nem o que fazer. Isso leva a atitudes desesperadas e calma e paciência são fatores fundamentais para o sucesso, tem que saber a hora exata de agir. O golpe tem que ser certeiro, só haverá uma chance, deve ser fatal. Talvez aja outra chance, porém nunca se sabe quando e a cada investida falha você irá ficar cada vez mais receoso para tentar uma outra vez e cada chance desperdiçada mais você sumirá desse mundo.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
De repente, grande.
Por esses dias tava me dando conta, da minha idade, não que seja velha ou esteja com crise de meia idade aos 19 anos. Mas refleti quantas coisas haviam mudado de quando eu era pequenina. Foi quando lembrei da musica de Bob Dylan ‘‘the times they are changin’’’, e de fato. E imediatamente uma amiga me telefonou, em prantos, havia ‘acabado’ um relacionamento que pelo último ano foi o que lhe havia de mais belo, pedindo incessantemente que eu fosse até a sua casa. E fui, sai pelas ruas, cortando carros (sem pensar, na minha carteira ainda provisória. ¬¬), acabou que logo cheguei. Antigamente, o desejo era de ir lá correndo tentar de qualquer forma ajudá-la, mas, no máximo eu lhe diria: ‘quando mainha chegar eu peço para ela me deixar ai ta? E posso dormir, também? Para ela não precisar voltar...’ Eu gosto, MUITO, do imediatismo que dirigir me fornece, em muitas situações. Anteriormente ao telefonema, tive vontade de ver minha avó, simplesmente troquei de roupa e fui passei a tarde com ela, admirando toda aquela humanidade que reside no corpo da minha maravilhosa voinha. E nem precisei esperar horas por um único ônibus que vai até sua residência. Senti-me grande, independente, normalmente me sinto quando to dirigindo e vou resolver minhas coisas. E minha vó? Nem se quer se deu conta que a netinha dela, que andava levando ela a médicos, dirigindo, estagiando... e insistia no: ‘minha filha, coma um pouquinho. Quer isso? Quer aquilo?’. Era criança, novamente, que bom! Porque o fato é que eu cresci, mas de repente, não mais que de repente. Quando me notei tava dirigindo, resolvendo problemas. E achei tudo muito cruel, devo confessar. Eu gostava de ver o mundo como antigamente, acreditava que podia mudar tudo, que meus pais eram perfeitos, que os amores eram para sempre. Tinha intensidade nas descobertas, brilho no olhar, sorrisos verdadeiros. Parece que, hoje, grande tudo isso se perdeu. E quem disse que quero ser grande? E ver as coisas deste modo? Quero ser criança, sempre. Mas de repente, não mais que de repente tornei-me grande.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Valor da doença.
Friedrich Nietzsche
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Soneto de separação
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amane
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Cálice.
Devo dizer que os dias tem sido, no mínimo, amargos.
E quem se importa?
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Pedaço de mim - Chico Buarque
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Socorro.
Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar, nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo que penada
Me entregue suas penas
Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração
Que esse já não bate, nem apanha
Por favor, uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Socorro, alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada
Socorro, eu já não sinto nada, nada
domingo, 1 de junho de 2008
Sobre amizade.
Hei de ser ousada. Faz muito que procuro nas melhores biografias algo que defina bem a amizade e sempre acho ínfimo. Os poetas me parecem gostar mais de relatar o amor, aquelas grandes paixões... E não seria amizade o amor? ‘’Amizade é o amor que nunca morre’’ definiu Mário Quintana tão bem e disse ainda ‘’Amizade: quando o silêncio a dois não se torna incomodo.’’, não me parece cabível. Recorri ao dicionário com a esperança de algo interessante: ‘’1) sentimento de afeição. 2) estima. 3) benevolência, bondade. 4) pessoa amiga. 5) amor, em geral não aparentado.’’ Nem terminei de ler e o fechei imediatamente, achei muitíssimo sem graça. Parecia mais uma receita pra um produto do que um sentimento. Pensei em músicas, não teve como não me vim à cabeça: ‘’amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não. ‘’’ Pouco, muito pouco... Foi quando pensei: se Milton Nascimento, Mário Quintana, Carlos Drummond, Veríssimo dentre outros não descreveram a amizade de forma que EU considerei perfeita, porque eu, logo eu, conseguiria defini-la? Quanta prepotência, cara Mariana! Por isso desisti de encontrar explicações. Amizade não é pra se teorizar, ‘não serve para se especular. Não cabe em conjuntos ordenados, métodos, sistemas, raciocínios. Não tem razão. Não se presta a objeto de estudo, pois foge desesperadamente da lógica.’ E pensei ainda nas minhas grandes amizades, lembrei o quanto sempre me foi dificil definir e o quão fácil é sentir e apenas sentir. Deixe-me fazer um parenteses. Não sei se ja citei, mas sou observadora, e como sou, as vezes, me da nos nervos. Sou capaz de dizer facilmente como minha mãe se sente, com apenas um olhar sei o que minha amiga está pensando, um simples balançar de pernas me diz muito e tudo isso é fruto de tanta observação. Me sinto tão intrometida, há coisas que você não deve pereceber, as pessoas fazem de tudo para que você não note, não saiba como ela verdadeiramente está se sentindo e eu? Fico observando... e devo confessar que são poucas as vezes que finjo não está notando, normalmente, um comentário me escapole. O fato é que tirei esses dias pra observar não foi aquela coisa inconsciente da minha personalidade, foi tudo minimamente pensando, quis observar ainda mais e registrar. Fui no ônibus olhando as pessoas, uns pareciam alegres outros nem tanto, senhores, bebês, gente de verdade por toda a parte, cada um com uma história e eu? Tentando decifrar. Surgiram várias questões em minha mente, algumas continuam a me pertubar, outras perderam-se. E assim observando entendi tão nitidamente o que é a amizade. Como percebe-se defini-la está além de minha capacidade. Mas, meu caro, se você pudesse sentir por mim, ficaria feliz em compartilhar é belo, um dos mais belos sentimentos que já experimentei. E para mim, a amizade tem nome, idade, jeito diferente de sorrir quando bebe, gosta de sorvete, tem um silêncio envergonhado querendo ajudar que vale mais, muito mais que milhões de palavras. Para mim, amizade se resume ao meu final de semana. E o que eu fiz no final de semana? Nada. Absolutamente nada demais. Apenas observei.... AMIZADE!
