domingo, 1 de junho de 2008

Sobre amizade.

Hei de ser ousada. Faz muito que procuro nas melhores biografias algo que defina bem a amizade e sempre acho ínfimo. Os poetas me parecem gostar mais de relatar o amor, aquelas grandes paixões... E não seria amizade o amor? ‘’Amizade é o amor que nunca morre’’ definiu Mário Quintana tão bem e disse ainda ‘’Amizade: quando o silêncio a dois não se torna incomodo.’’, não me parece cabível. Recorri ao dicionário com a esperança de algo interessante: ‘’1) sentimento de afeição. 2) estima. 3) benevolência, bondade. 4) pessoa amiga. 5) amor, em geral não aparentado.’’ Nem terminei de ler e o fechei imediatamente, achei muitíssimo sem graça. Parecia mais uma receita pra um produto do que um sentimento. Pensei em músicas, não teve como não me vim à cabeça: ‘’amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não. ‘’’ Pouco, muito pouco... Foi quando pensei: se Milton Nascimento, Mário Quintana, Carlos Drummond, Veríssimo dentre outros não descreveram a amizade de forma que EU considerei perfeita, porque eu, logo eu, conseguiria defini-la? Quanta prepotência, cara Mariana! Por isso desisti de encontrar explicações. Amizade não é pra se teorizar, ‘não serve para se especular. Não cabe em conjuntos ordenados, métodos, sistemas, raciocínios. Não tem razão. Não se presta a objeto de estudo, pois foge desesperadamente da lógica.’ E pensei ainda nas minhas grandes amizades, lembrei o quanto sempre me foi dificil definir e o quão fácil é sentir e apenas sentir. Deixe-me fazer um parenteses. Não sei se ja citei, mas sou observadora, e como sou, as vezes, me da nos nervos. Sou capaz de dizer facilmente como minha mãe se sente, com apenas um olhar sei o que minha amiga está pensando, um simples balançar de pernas me diz muito e tudo isso é fruto de tanta observação. Me sinto tão intrometida, há coisas que você não deve pereceber, as pessoas fazem de tudo para que você não note, não saiba como ela verdadeiramente está se sentindo e eu? Fico observando... e devo confessar que são poucas as vezes que finjo não está notando, normalmente, um comentário me escapole. O fato é que tirei esses dias pra observar não foi aquela coisa inconsciente da minha personalidade, foi tudo minimamente pensando, quis observar ainda mais e registrar. Fui no ônibus olhando as pessoas, uns pareciam alegres outros nem tanto, senhores, bebês, gente de verdade por toda a parte, cada um com uma história e eu? Tentando decifrar. Surgiram várias questões em minha mente, algumas continuam a me pertubar, outras perderam-se. E assim observando entendi tão nitidamente o que é a amizade. Como percebe-se defini-la está além de minha capacidade. Mas, meu caro, se você pudesse sentir por mim, ficaria feliz em compartilhar é belo, um dos mais belos sentimentos que já experimentei. E para mim, a amizade tem nome, idade, jeito diferente de sorrir quando bebe, gosta de sorvete, tem um silêncio envergonhado querendo ajudar que vale mais, muito mais que milhões de palavras. Para mim, amizade se resume ao meu final de semana. E o que eu fiz no final de semana? Nada. Absolutamente nada demais. Apenas observei.... AMIZADE!

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